Entrevista com a psicóloga Vanessa Ribeiro a respeito do bullying nas escolas.
BULLYING, o vilão das escolas
O comportamento agressivo entre
estudantes, expressado de forma física ou verbal sem qualquer motivo,
conhecido como bullying, é um dos graves problemas enfrentados em todo o
mundo. Colocar apelidos, humilhar, isolar ou até mesmo agredir
fisicamente o colega são algumas das ações que refletem negativamente em
todos os alunos das salas onde isso acontece. Para ajudar a esclarecer o
assunto, conversamos com psicóloga Vanessa Ribeiro.
Anchieta: Explique–nos o que é o bullying.
Vanessa: O bullying é
um termo proveniente da língua inglesa, usado para referir-se a atos de
violência física e/ou psicológica de um indivíduo ou grupo para com
outro, sendo intencionais, recorrentes e sem motivação aparente, havendo
um desequilíbrio de poder entre as partes: o agressor e o alvo da
agressão. Vale ressaltar que, ao contrário do que se costuma falar, o
bullying não é um fenômeno novo, mas sim uma nova nomeação atribuída
pela ciência a uma das faces da violência, numa tentativa ilusória de
controlá-la por meio da classificação. Ao falar de bullying, precisamos
considerar os fatores culturais que colaboram para o seu aparecimento,
como o capitalismo, o individualismo. Não que tais fatores por si só
provoquem o bullying, mas a sua aplicação extremista pode acarretar
consequências negativas ao limitar as opções do indivíduo.
Anchieta: Hoje em dia acontecem mais casos de bullying do que antes?
Vanessa: O bullying, a
delinquência, os problemas de conduta, a indisciplina, entre outros, são
conceitos que se referem à violência escolar e esta é um fenômeno
antigo em todo mundo. O que se considera recente são os estudos
acadêmicos a respeito do tema no Brasil. A partir do crescente interesse
e preocupação com a violência escolar e consequente aumento do número
de pesquisas, este tema passa a ser um grande alvo da mídia. O fato
desses casos surgirem de forma mais constante e endêmica tem relação com
o contexto normativo atual, que incumbe o indivíduo a elaborar suas
próprias regras, em detrimento da disciplina, prevalecendo o sentimento
de insuficiência, já que o melhor nunca é o satisfatório e tudo pode ser
alcançado. A contemporaneidade maximiza o individualismo, promovendo
uma cultura narcísica.
Anchieta: Em qual idade escolar costumam acontecer mais casos?
Vanessa: É preciso uma
pesquisa mais ampla para afirmar com certeza a maior incidência dos
casos. Contudo, supõe-se que seja entre adolescentes de 11 a 15 anos de
idade.
Anchieta: Qual é o perfil da criança e adolescente que sofre bullying?
Vanessa: Não falamos em
perfil. Atribuir um perfil seria rotular crianças e adolescentes. O que
se percebe, a partir das pesquisas divulgadas, é que há características
comuns entre sujeitos que praticam e sofrem o bullying. Em geral, o
agressor já foi, em algum monento, alvo do bullying. Para o agressor, a
função do bullying é demonstrar poder e conseguir uma afiliação junto
aos outros colegas. O repertório de enfrentamento de conflitos daqueles
que praticam bullying se restringe a comportamentos agressivos e
explosivos. Aqueles que são alvo do bullying normalmente apresentam
alguma característica física ou emocional destoante dos demais, somado
ao sentimento de insegurança e à falta de habilidade para reagir.
Anchieta: Que tipo de atos agressivos são praticados?
Vanessa: Os atos podem ser diretos: agressões físicas, ofender, ameaçar, humilhar, extorquir dinheiro, roubar objetos, forçar comportamentos sexuais ou realização de atividades subservientes, entre outros; e atos indiretos: boatos, fofocas, exclusão sistemática de um colega. Além disso, há o cyberbullying, que é a utilização da tecnologia da comunicação, como a internet, para a realização do bullying.
Vanessa: Os atos podem ser diretos: agressões físicas, ofender, ameaçar, humilhar, extorquir dinheiro, roubar objetos, forçar comportamentos sexuais ou realização de atividades subservientes, entre outros; e atos indiretos: boatos, fofocas, exclusão sistemática de um colega. Além disso, há o cyberbullying, que é a utilização da tecnologia da comunicação, como a internet, para a realização do bullying.
Anchieta: Meninos e meninas praticam e lidam com o bullying de maneiras diferentes?
Vanessa: Em geral, as
meninas apresentam formas mais sutis de expressar a violência do que os
meninos, os quais se sentem mais encorajados a assumir posições
violentas, refletindo os nossos padrões culturais e de socialização.
Anchieta: Como suspeitar que uma criança ou adolescente esteja sofrendo bullying na escola?
Vanessa: Atentar para
mudanças no comportamento social da criança/adolescente, como tendência
ao isolamento, recusa em frequentar a escola; sintomas psicossomáticos
recorrentes; mudanças no comportamento emocional e afetivo; queda do
rendimento escolar. Logicamente que a presença desses fatores não
determinam que o sujeito esteja sofrendo bullying, mas devem ser
considerados como indicativos para uma maior investigação.
Anchieta: Que tipo de danos pode causar o bullying?
Vanessa: O bullying
pode causar dificuldades acadêmicas, sociais e emocionais para todos os
envolvidos – agressor, alvo e testemunhas. O sujeito, alvo de bullying,
tende a trocar constantemente de escola ou abandoná-la; apresentar baixa
auto-estima, sentimentos negativos relativos a si próprio, distúrbios
psicossomáticos; aumento da probabilidade de depressão e dos
comportamentos agressivos, tendendo a tornar-se autor do bullying.
Anchieta: O que os pais devem fazer ao saber que seu filho é vítima de bullying?
Vanessa: Tanto a postura dos pais, demasiado autoritária, quanto o seu oposto, a demasiado permissiva, trazem efeitos negativos ao desenvolvimento da criança/adolescente, o que reflete no comportamento destes na escola. É importante que os pais reflitam se estão promovendo a autonomia dos filhos, ampliando o limiar destes às frustrações, as quais são inerentes ao viver. Dialogar com o filho, entendendo seus sentimentos e ideias em relação aos fatos, é sempre o mais indicado. Também é preciso que se aproximem da escola, participando do processo de educação dos seus filhos. Podem também buscar ajuda de um profissional (psicólogo) que os direcione na identificação e análise de tais problemas.
Anchieta: O que fazer quando o próprio filho é o agressor?
Anchieta: O que os pais devem fazer ao saber que seu filho é vítima de bullying?
Vanessa: Tanto a postura dos pais, demasiado autoritária, quanto o seu oposto, a demasiado permissiva, trazem efeitos negativos ao desenvolvimento da criança/adolescente, o que reflete no comportamento destes na escola. É importante que os pais reflitam se estão promovendo a autonomia dos filhos, ampliando o limiar destes às frustrações, as quais são inerentes ao viver. Dialogar com o filho, entendendo seus sentimentos e ideias em relação aos fatos, é sempre o mais indicado. Também é preciso que se aproximem da escola, participando do processo de educação dos seus filhos. Podem também buscar ajuda de um profissional (psicólogo) que os direcione na identificação e análise de tais problemas.
Anchieta: O que fazer quando o próprio filho é o agressor?
Vanessa: De algum modo,
todos – os agressores, os alvos e as testemunhas, são vítimas nos casos
de bullying. Todos são prejudicados e merecem ser tratados como jovens
que passam por problemas. Pensar numa intervenção para o agressor é
pensar na promoção da sua saúde. O bullying, antes de ser uma questão
legal, é uma questão de saúde.
Anchieta: Que medidas as escolas podem tomar para evitar esse tipo de comportamento?
Vanessa: Primeiro, é
importante fazer a análise do contexto e das formas de poder vigentes no
âmbito escolar, reconhecendo as subjetividades e a relatividade das
ideias que coabitam neste campo. A partir daí, as escolas devem evitar
medidas puramente punitivas e o estímulo à competição; promover a
participação ativa dos estudantes nas decisões e organização do seu
processo de educação, respeitando as ideias dos mesmos; promover o
estabelecimento de vínculo entre os sujeitos na escola (professores,
alunos e funcionários); focar no problema separando-o do sujeito, ou
seja, o problema não é inerente à identidade do aluno; atuar em prol da
“problematização” da violência, permitindo, assim, a reflexão e a
atribuição de significados por parte dos envolvidos.
Anchieta: O bullying é um fenômeno que só ocorre nas escolas?
Anchieta: O bullying é um fenômeno que só ocorre nas escolas?
Vanessa: O bullying pode ocorrer na família, no ambiente de trabalho, nos clubes, condomínio, entre outras instituições.
BIBLIOGRAFIA:
Site do Colégio Anchieta (http://www.colegioanchieta-ba.com.br): Entrevista com a psicóloga Vanessa Ribeiro
Que teu caminhar seja cheio de encantos, para que possas fazer de teus sonhos algo real e palpável
ResponderExcluirQue teu caminhar seja sem obstáculos, para que possas seguir confiante em busca de teus ideais.
Passei por aqui e gostei do que vi :).
Que Deus te proteja hoje e sempre.
Professora Ana Paula Guedes
Oi Prof. Muito Obrigada! A senhora é muito querida!
Excluir:)